05 February, 2009

No Iraque, artistas criam esculturas a partir de armas


Tariq Saleh, de Beirute

 (Escultura Bicicleta por Ahmed Emad El Deen)

Um projeto conjunto entre uma ONG iraquiana e a Universidade de Bagdá promove a criação de esculturas a partir de armas apreendidas no Iraque, um dos países mais perigosos do mundo.

As esculturas são feitas com a sucata de armas, como fuzis AK-47 e pistolas, e também peças de armamentos mais pesados, como lançadores de granadas e morteiros.

Graduandos da Faculdade de Artes da Universidade de Bagdá recebem os materiais da ONG IMCO, entidade especializada em desativar minas, explosivos e destruir armas apreendidas pelas forças militares iraquianas e americanas.

O diretor da IMCO, Zahim Mutar, disse que o projeto começou em novembro do ano passado quando foram apreendidas cerca de 10 mil armas em cinco semanas de operações. Em média, são destruídas 800 armas por dia.

Segundo ele, há muitos projetos de destruição de armas em vários países, mas este era o primeiro a transferir as peças para o incentivo à cultura.

“Para nós isto simboliza um novo Iraque, a transformação de meios de destruição e morte em algo que incentive a cultura e a paz”, disse Mutar.

Ele também revelou que o projeto prevê mais treinamento para os artistas e assim possam vender suas obras.

As esculturas criadas vão desde animais e veículos até ícones da cultura historica iraquiana.

“Estamos organizando para o mês de abril uma exposição com todos os trabalhos feitos pelos graduandos da universidade”, completou.

O dinheiro arrecadado, segundo Mutar, será revertido para orfanatos e o tratamento às crianças que foram feridas por bombas ou minas terrestres.

Armas

A IMCO foi fundada no final de 2003, após a invasão do Iraque por forças lideradas pelos Estados Unidos.

O Departamento de Estado americano envia fundos para a ONG mas, de acordo com Mutar, a entidade opera com independência e conta com todos seus funcionários iraquianos.

“Nossa missão é apenas limpar o país de minas terrestres e outros explisvos, além de destruir os armamentos aprrendidos pelos governos iraquiano e americano”, explicou Mutar.

Ele disse que o projeto de transformar as sobras de armamento em arte a partir da necessidade de reeducar as pessoas para os perigos da guerra que aflige o país.

As armas chegam ao depósito da IMCO na “zona verde”, uma área em Bagdá bem controlada militarmente e onde ficam vários prédios do governo iraquiano.

No prédio da entidade, há um máquina hidráulica que corta as armas para que sejam enviadas às oficinas de arte da universidade.

 “Algumas destas esculturas fazem parte da própria decoração da sede da IMCO em Bagdá”, enfatizou Mutar.

Tariq Saleh é jornalista brasileiro e correspondente para a BBC em Beirute, cobrindo Oriente Médio e África. É colaborador da Folha de S.Paulo, revista Terra, TV Globo, TV Record e outras publicações internacionais.

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