O primeiro-ministro Fouad Siniora anunciou nesta sexta-feira a formação do novo governo libanês de unidade nacional após uma reunião com o presidente Michel Suleiman.
O novo gabinete será composto por 30 ministros – 16 para a maioria parlamentar anti-Síria, 11 para a oposição liderada pelo Hizbullah e três ministérios ligados ao presidente.
A novidade em relação a governos anteriores é o aumento do poder do Hizbullah, e seus aliados, no novo gabinete libanês, com direito a veto em assuntos considerados mais estratégicos – como o de Defesa.
Após a assinatura dos Acordos de Doha, no Catar, em maio, Siniora e Suleiman negociaram entre as duas facções políticas durante sete semanas até chegarem a um consenso em torno da distribuição dos ministérios.
Os acordos no Catar encerraram 18 meses de uma crise política que resultou em confrontos nos país e que quase levaram o Líbano para uma nova guerra civil.
O novo governo também foi divido de acordo com a representação dos sete maiores grupos sectários do país (são 18 os reconhecidos oficialmente pelo governo), entre governistas e oposição.
Os governo será formado por cinco cristãos maronitas, cinco greco-ortodoxos, dois católicos, seis muçulmanos sunitas (incluindo Siniora), seis muçulmanos xiitas, três drusos e dois armênios.
Negociação
Após a eleição de Suleiman ainda no mês de maio, o desafio foi o de conciliar os dois lados para a formação de um novo gabinete.
A oposição, que tem o apoio da Síria e Irã, exigia o direito de controlar ministérios importantes, enquanto que a maioria governista, pró-Ocidente, discordava de nomes nomeados pelo Hizbullah e seu aliado, o general cristão Michel Aoun.
O próprio Aoun insistia em ter cinco ministérios, o que provocou a ira de outros grupos cristãos ligados aos governistas.
Outro impecilho foi a indicação de Ali Qanso, ex-líder do Partido Nacionalista Social Sírio, para fazer parte do governo, uma manobra rejeitada pela maioria governista.
Qanso, segundo os governistas, teria fortes ligações com membros da inteligência síria. Após quase 30 anos de ocupação militar, a Síria se retirou do país em 2005 depois de uma forte pressão da comunidade internacional.
Uma negociação envolvendo líderes governistas e o presidente do parlamento Nabih Berri (líder oposicionista) terminou com a retirada da objeção ao nome de Qanso, pavimentando o caminho para a formação do governo.
Desafios
Analistas projetam grandes desafios para Siniora e seu gabinete, como definir as metas do novo governo e confrontar temas importantes.
“Uma das mais importantes questões será as armas do Hizbullah e o status do partido xiita dentro do novo contexto do país”, disse o analista político Paul Salem, diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio.
O grupo já anunciou que não aceita incluir seu armamento em metas do governo e alega que precisa de suas armas para defender o país contra uma agressão de Israel.
Para Salem, o presidente Suleiman e o governo terão uma missão difícil com o poder de veto conquistado pelo Hizbullah.
Outro desafio serão as eleições parlamentares de 2009, que prometem ser muito acirradas. “Pelo Acordo de Doha, uma nova lei eleitoral deve ser aprovada para as eleições do ano que vem. E já se sente que haverá muita briga pois ninguém quer perder poder”.
Entretanto, os desafios também passam pela segurança, com milícias armadas e o crescimento de grupos fundamentalistas que ameaçam a estabilidade interna do Líbano, e pela economia, em que o país possui uma dívida externa de mais de 45 bilhões de dólares, altos índices de desemprego e aumento nos preços de alimentos e combustíveis.
“Todos estes problemas colocarão a união do governo à prova e sua capacidade de colocar o Líbano nos trilhos”, salientou Salem.