Em meio ao fogo cruzado, a população dos bairros afetados pelo conflito, que começou na quarta-feira entre militantes governistas e oposicionistas (liderados pelo Hezbollah) tem somente duas opções – ou foge de Beirute ou permanece dentro de casa.
No bairro da Hamra, um dos mais importantes e tradicionais da capital, e de maioria sunita simpatizante do governo, os moradores se mostravam incrédulos com a facilidade com que o Hezbollah e seus aliados derrotaram as milícias sunitas ligadas ao líder Saad Hariri.
Ahmad Masri, um vendedor em uma loja de eletrônicos, é sunita e simpatizante de Hariri. Ele confessou que jamais esperava que os xiitas do Hezbollah iriam entrar tão facilmente em um área que ele imaginava intransponível.
“Não consigo acreditar que eles estão aqui, com suas armas impondo a nós barreiras”, falou ele.
Em várias ruas da Hamra, assim como de outros bairros do oeste de Beirute, vários prédios estavam com marcas da violência dos últimos três dias. Buracos de bala nas paredes, latas de lixo queimadas e carros destruídos.
Em cada esquina, centenas de milicianos estavam posicionados, parando carros, pedindo documentos dos moradores, parando repórteres e colocando bandeiras de seus partidos políticos. Em uma das esquinas, um pôster do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, assassinado em 2005, foi retirado para dar lugar ao do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah.
Um mulher, que não quis se identificar por medo das milícias presentes no local, ficou perturbada e come;cou a choirar quando viu fotos do ex-primeiro-ministro sendo rasgados.
“Me sinto violada, meu bairro, minha casa, minha privacidade”, disse ela.
Ela disse que deixaria o bairro até a noite de ontem e fugiria para as montanhas, onde sua familiares estavam refugiados.
“Com eles aqui, a vida na Hamra acabou. Imagine caminhar à beira-mar e a bonita paisagem e olhar para o lado e nos depararmos com homens armados”.
Na praça que foi construída para homenagear Hariri no local onde ele foi assassinado, mi.itantes da oposição desfilavam com bandeiras dos partidos xiitas Hezbollah e Amal.
De longe, alguns soldados em um blindado do exército apenas descansavam dentro do veículo. Alguns motoristas parados pelos milicianos se recusaram a mostrar suas identificações, sendo levados para “questionamentos”.
Em vários pontos, as milícias faziam a segurança inclusive de instituições ligadas ao governo. Mas a fumaça do prédio da emissora de televisão Future TV, atacada pelo Hizbullah, era vista com sinal de satisfação pelos militantes.
“Eles só propagavam mentiras a serviço de Israel”, declarou um miliciano carregando um fuzil M16.