24 April, 2007

Síria condena ativista de direitos humanos


Tariq Saleh/Beirute

O ativista de direitos humanos sírio Anwar al-Bunni foi condenado hoje a passar cinco anos na cadeia, acusado de divulgar 'informações hostis' e entrar para um grupo político 'ilegal'. Além da sentença, ele também foi condenado a pagar uma multa de 2 mil dólares.

Bunni, um proeminente ativista pelas reformas democráticas na Síria, estava preso desde maio de 2006. A sentença é uma dura mensagem à oposição e mostra que o regime sírio não pretende atender as pressões do Ocidente por reformas.

A corte síria condenou Bunni por espalhar notícias falsas ou exageradas que poderiam enfraquecer a moral nacional, afiliar-se a uma associação política não-licenciada de natureza internacional e contatar um país estrangeiro.

Segundo a agência Reuters, Bunni disse que estava orgulhoso do que fez e que não se arrependia. "Eu não cometi nenhum crime. Esta sentença é para calar minha boca e parar de expor as constantes violações de direitos humanos na Síria", disse ele.

Libaneses presos na Síria

No Líbano, país que viveu mais de 30 anos de ocupação síria, a sentença de Bunni não foi nenhuma supresa. Muitos libaneses disseram que normalmente opositores ao governo são sentenciados a até 20 anos de prisão e que o ativista pegou uma sentença leve.

Calcula-se que há mais de 500 libaneses, muitos deles jovens, em prisões sírias. Isto gera um atrito entre o grupo xiita Hezbollah e seus aliados e políticos anti-Síria. A causa seria a contradição do Hezbollah na sua justificativa de lutar cobtra Israel para libertar libaneses em prisões israelenses (além de liberar as fazendas de Chebaa, supostamente pertencentes ao Líbano, mas que a ONU considera da Síria).

Políticos questionam o Hezbollah o porquê de não exigir do governo sírio que liberte os libaneses presos em seu território, já que usa este argumento para entrar em constantes conflitos com Israel (embora israelnses tenham um extenso histórico de violar o território libanês). 

Hoje, dezenas de pessoas realizaram uma demonstração pela comemoração do Dia dos Prisioneiros, em que libaneses e palestinos presos em Israel e Síria são lembrados. Parentes dos desaparecidos libaneses que estariam presos na Síria pedem pela sua liberdade. Mesmo mortos, seus familiares esperam seu retorno de seus restos mortais. A Síria nega que tenha libaneses detidos em suas prisões. 

Calcula-se que dezenas de libaneses e mais de 10 mil palestinos, sem acusações formais nem julgamento, estejam em prisões de Israel. Alguns foram presos em atividades de guerrilha em território israelense, mas ONGs de direitos humanos estimam que a imensa maioria dos prisioneiros são pessoas comuns e foram raptadas no Líbano e nos territórios palestinos ocupados.

Tariq Saleh é jornalista e mora atualmente em Beirute, no Líbano.

POSTED BY TARIQ AT 10:52 am 0 COMMENTS    


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