É difícil, pois onde quer que você vá, a ocupação faz o que quer, e dessa vez sofremos, pois não havia câmeras e não havia imprensa para mostrar o que eles faziam. Eles mataram pessoas, fizeram prisioneiros, destruíram casas. Vivemos dias difíceis, são os mesmos dias difíceis.
Uma Palestina dividida em duas e essas partes divididas em muitas mais. Uma terra que parece estar destinada a oferecer calvário a seus habitantes. A situação de Gaza e da Cisjordânia é a mesma. Sofremos aqui uma incursão do exército israelense. Eles seqüestram ministros e deputados.
Em Gaza, talvez as coisas sejam mais difíceis, pois há mais mortos e mais feridos. Aqui na Cisjordânia, sofremos com os postos de controle, há postos de controle em todos os lugares. Temos dificuldade de ir de Bethelem, onde moro, até Ramallah. Em todos os lugares há postos.
Uma travessia de cinco minutos. Em algumas partes do mundo, se dá pouca importância a uma caminhada de cinco minutos, vêem com banalidade um passeio de carro que dura cinco minutos. Se eu quiser ir de Bethelem até Jerusalém Oriental, território que na teoria é palestino, não posso.
As duas cidades ficam a cinco minutos de carro uma da outra, mas não posso ir porque preciso de uma permissão. Os israelenses nos proíbem de ir até Jerusalém. Muitas pessoas sofrem com isso, pessoas que precisam ir até Jerusalém. E, nesse caso, a coisa não piorou com os recentes ataques. Essa situação sempre foi assim, e desde 1990, Israel nos dificulta a ida a Jerusalém.
Como não se caminha, não se circula dentro da Palestina, há pouco a andar. Nós nos preocupamos com o futuro de nossas crianças, elas não terão vida, o futuro que vemos diante de nós é pouco promissor, é escuro, não há luz. A mídia não pode retratar essas coisas, pois há influência de judeus na Europa e Estados Unidos. Nós temos a Autoridade Nacional Palestina, mas ela é figurativa, nós palestinos não temos autoridade alguma. Realmente vejo um futuro ruim para as crianças.
Nosso desastre é diário, é triste. Nesses dois meses, em que eles destruíram o Líbano e todas as atenções se voltaram para lá, eles fizeram o que quiseram. Mas se os libaneses viveram este mês de inferno por causa de Israel, nosso inferno é diário. Vivemos em um inferno desde 1948.
Nós vivemos em um zoológico, não vivemos em um país. Ao menos, em um zoológico, não se constroem muros, animais podem ver através de grades. Nós vivemos cercados por muros. Se os israelenses abrem a porta, podemos sair, se eles trancam, não podemos sair.
*Maha Mattar é morador de Bethelem, Cisjordânia.
POSTED BY TARIQ
AT 06:30 pm 2
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